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Entretenimento

Show business deslancha em palcos brasileiros

Ruy Barata Neto   (rneto@brasileconomico.com.br) - Colaborou Regiane Oliveira
13/03/10 07:25


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PROGRAMAÇÃO

Guns N’Roses: hoje em São Paulo, amanhã no Rio e dia 16 de março em Porto Alegre.
A-HA: hoje no Rio e amanhã em Belo Horizonte.
B.B. King: nos dias 19 e 20 de março em São Paulo, no dia 22 em Brasília.
Franz Ferdinand: 23 de março em São Paulo.
Placebo: 16 de abril no Rio e no dia 17 em São Paulo.
Simply Red: 20 de abril em São Paulo, 21 em Belo Horizonte e 23 no Rio.
Moby: 20 de abril em São Paulo e dia 23 no Rio.
Aerosmith: 29 de maio em São Paulo.
Paul McCartney lotou o estádio do Maracanã em 1990 e atingiu recorde de público: 180 mil pessoas

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Cenário macroeconômico atrai investimentos de diferentes grupos nacionais e internacionais para os próximos anos.

O bordão "Eu Fui!" usado na promoção das grandes turnês internacionais dos anos 1980 e 1990, para dar o tom de exclusividade destes eventos, não fará mais sentido para as novas gerações do Brasil.

A indústria de entretenimento nacional deverá ganhar, nos próximos cinco anos, musculatura suficiente a ponto de fazer com que os ídolos do pop rock mundial sejam presenças constantes em terras tupiniquins.

Esse mercado já vem se aquecendo nos últimos anos por conta da estabilidade econômica e, principalmente, do câmbio favorável. Note que a maioria das bandas mais famosas do mundo passaram a ser habitués, a exemplo do Iron Maiden, que tem feito quase um show por ano no Brasil - e teve recorde de público ao tocar para 63 mil pessoas no autódromo de Interlagos, em São Paulo, em 2009.

Eles querem voltar com nova turnê em 2011. Outros nomes, como o de Paul McCartney, estão na lista de desejos.

"A disputa entre produtores é tão grande que a negociação de cachês acaba virando um leilão", afirma Paulo Amorim, presidente do Grupo Tom Brasil. "E em alguns casos eles conseguem ganhar mais aqui do que nos Estados Unidos, o que já gera uma distorção."

O show business nacional deve deslanchar mesmo a partir deste ano com perspectivas de construção e reformas de estádios para a Copa do Mundo e Olimpíada - o que resolverá o grande gargalo do setor atualmente: a falta de qualidade na infraestrutura de recepção do público. Afinal, quem nunca teve dificuldades de sair e entrar dos grandes shows no país?

O negócio de construção de arenas multiuso, no padrão internacional e mais adequadas para receber concertos, é o grande filão de negócios para construtoras nacionais.

Elas chegam a investir hoje até R$ 400 milhões em parceria com clubes de futebol. O retorno disso, divido entre as partes, virá da comercialização de propriedades do estádio, como cadeira cativa ou espaço de propaganda.

É o que chama a atenção de empresas dedicadas à gestão comercial de arenas - modelo já em voga no exterior.

Para se ter uma ideia, o aluguel de um dia reservado para um show não sai por menos de R$ 500 mil e pode chegar a R$ 1 milhão, como funciona no caso do estádio do Morumbi, em São Paulo. A empresa que fecha um show ganha comissão pela receita adicional.

Segundo o produtor Luis Oscar Niemeyer, responsável pela organização da histórica apresentação dos Rolling Stones na praia de Copacabana, em 2006, uma turnê pode ser rentável para artistas apenas com agenda de shows no Brasil.

Hoje, além do eixo Rio-São Paulo, produtores já marcam grandes apresentações em diferentes cidades. "Enquanto a economia nacional cresceu abrindo demanda em mais regiões, o Chile e a Argentina têm apenas Santiago e Buenos Aires como destinos principais", afirma Niemeyer.

Dúvidas

Mas, diz o produtor Roberto Medina, dono da franquia Rock in Rio, hoje ainda não é possível ter uma frequência tão alta de grandes espetáculos no país como acontece no exterior. Apesar do poder de compra do brasileiro ter aumentado, os preços do ingressos são altos.

É o que impede presença massiva de público para sustentar agenda cheia de eventos.

"Isso não é possível agora, mas daqui a cinco anos vai ser", afirma Medina, que deve trazer a área Cidade do Rock de volta ao Brasil, 25 anos depois do primeiro evento.

Em 1985 ele reuniu 1,3 milhão de pessoas na primeira edição do Rock in Rio, na capital carioca.

William Crunfli, presidente da Mondo Entretenimento, pertencente ao Grupo ABC, do publicitário Nizan Guanaes, não acredita que apenas o mercado de entretenimento possa garantir receita suficiente para que estádios recuperem investimentos e lucrem o suficiente em dias ociosos.

"É perigoso depender apenas de esportes e eventos, o Brasil precisa investir na diversificação dos esportes nestas arenas", diz Crunfli.


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