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É horroroso ver o Guns, mas você não pode perder

Daniela Paiva   (dpaiva@brasileconomico.com.br)
13/03/10 07:13


Este de Axl não é o Slash de chapinha nem o Slash virou ‘emo’. Trata-se do DJ Ashba. DJ Quem?

Este de Axl não é o Slash de chapinha nem o Slash virou ‘emo’. Trata-se do DJ Ashba. DJ Quem?

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Um barrigudo Axl Rose comanda hoje (13) o ‘caraoquê’ dos Guns N’Roses, em São Paulo.

Você observa a versão 2010, gorducha e cada vez mais esquisita, de Axl Rose e se pergunta: que bizarro desejo é este de assistir ao velho Guns N' Roses, que toca hoje em São Paulo?

Bizarro, sim, até porque a testemunha terá de suportar todo o périplo para chegar a um show em que se ouvirá inclusive as músicas de Chinese Democracy, o desimportante disco de 2008.

Quem se interessa por isso?

A verdade é que um dinossauro mora na alma de todo roqueiro que se preze. Em ocasiões como a da vinda do Guns N'Roses ao Brasil, o animal, que teima em existir entre discos e CDs com cheiro de mofo, levanta-se de seu Jurassic Park.

Alguns até tentam enfiá-lo de volta no buraco das memórias inconfessáveis - se bem que, sejamos honestos, há recordações bem piores em se tratando de hard rock.

Evitam filas de ingressos, site de compra dos bilhetes, amigos que assumem a nostalgia. Nesse caso, a briga é duríssima. Coisa entre a razão e a emoção.

Sim, pois ver o Guns N' Roses é uma questão emotiva. No Rock in Rio 3, em 2001, até fazia certo sentido, digamos assim. Slash (guitarra) e Duff McKagan (baixo) já haviam se desligado desde o final dos anos 90. Porém, a banda contava com Buckethead, o figura de chapéu de balde, um virtuose despirocado.

A trajetória de Axl Rose também despertava curiosidade quase mórbida, ao estilo Michael Jackson. Sucesso, declínio e esquecimento, revelações familiares, gordura proeminente, ressurreição pelas mãos de uma governanta, e por aí vai. Ou ia.

O que os fãs encontram na terceira passagem de Axl pelo Brasil - a primeira foi no Rock in Rio II, em 1991 - é quase um caraoquê de luxo com músicos contratados. Dizzy Reed é o único que se mantém desde 90. Sobrevive à quê? Por quê?

Dizem que Axl Rose não lança os agudos de antigamente. Que o show, com uma média de três horas, despenca nas etapas desse Chinese Democracy, o disco mais demorado da história do rock - levou quase 15 anos para ser feito.

Que a pirotecnia salva o espetáculo triste de uma banda que vendeu 100 milhões de discos entre o final dos anos 80 e meados dos 90.

Mas o que tudo isso importa? Talvez o maior mérito do Guns N' Roses tenha sido representar com fidelidade sentimentos típicos da juventude. Revolta (Welcome to the Jungle), desejos (Paradise City), perdas (Don't Cry), paixões arrebatadoras (Sweet Childo O' Mine, November Rain, Patience).

A sociedade está tão diferente de 10, 20 anos atrás? O adolescente deixou de sofrer por amor, de se rebelar, de sonhar? E você esqueceu que essa (provavelmente) foi a tal melhor fase da vida?

Depois de Brasília e Belo Horizonte, o Guns toca hoje no Parque Antártica, dia 14 no Rio de Janeiro e 16 em Porto Alegre. O repertório costuma basear-se nos clássicos de Appetite for Destruction e Use Your Ilusion I e II, misturados, bem, àquele Chinese lá.

Mas aí você se depara justamente com o sujeito ali de cima (o que não queria nem ouvir falar na velharia do Guns N' Roses) se esgoelando no meio da plateia, e ele dá aquela disfarçada: "Ah, estava em casa de bobeira...".

Emenda um ar de desprezo: "Tá bem mais ou menos, né?". Melhor nem perguntar.

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